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Guerra na Baixada Fluminense; Waguinho e Canella travam duelo e definem candidaturas em 13 cidades da região

Aliados até a eleição do ano passado, o prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro (Republicanos), o Waguinho, e o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) travam uma disputa política além dos limites do município da Baixada Fluminense. Os hoje adversários, criador e criatura, respectivamente, lançarão candidatos a prefeito e vereador nas 13 cidades da região, em uma queda de braço que definirá quem tem o maior capital eleitoral.

A briga entre Waguinho e Canella já respinga na bancada fluminense de deputados federais, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e na Câmara Municipal de Belford Roxo. Presidente estadual do Republicanos, o prefeito tem articulado filiações de parlamentares do partido de Canella. Estão em sua mira nomes como Juninho do Pneu e Dani Cunha, no Congresso, e Manoel Brazão, na Alerj.

Já Canella contra-ataca oferecendo legenda a políticos ligados a Waguinho e fechando o apoio de 14, dos 25 vereadores de Belford Roxo à sua candidatura a prefeito. O deputado também conseguiu respaldo do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que desembarca do PL e se prepara para ser um dos caciques do União Brasil no estado.

Sem poder concorrer à prefeitura por ser reeleito, Waguinho jogará suas fichas na candidatura do sobrinho Matheus Carneiro, novato na política, seguindo novamente a fórmula “criador-criatura”. Antes do rompimento, Canella era o sucessor natural do atual prefeito na disputa. Seu irmão, Marcelo, é hoje o vice de Waguinho, vaga anteriormente ocupada no primeiro mandato pelo próprio parlamentar.

Apostas na região

Além de Belford Roxo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Queimados e São João de Meriti — maiores cidades da região eleitoralmente — se tornaram prioridades para Waguinho e Canella elegerem seus aliados. Mas eles articulam candidaturas em todos os 13 municípios.

Em Nova Iguaçu, onde o prefeito Rogério Lisboa (PP) é reeleito, Waguinho defende a candidatura de Juninho do Pneu, com filiação ao Republicanos. Como segunda opção, ele tenderia ao nome do PT, partido aliado, na disputa. O ex-prefeito e deputado federal Lindbergh Farias é um dos cotados, embora não tenha demonstrado vontade de concorrer. Já Canella se aliou a Clébio Jacaré, que ingressou no União e assumiu a presidência do diretório municipal.

Queimados é outro município cobiçado pelos adversários. Waguinho aposta na candidatura de Fábio Sperendio. No entanto, o nome do PDT na disputa, Rogério Brandi, já teria o apoio nacional do Republicanos, dificultando os planos de Waguinho.

— Houve uma promessa anterior do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, de o partido caminhar com nossa candidatura, mesmo após Waguinho assumir o diretório estadual e cogitar lançar Sperendio pela legenda — afirma o deputado federal Max Lemos (PDT), vice na chapa de Brandi.

O deputado também é cotado para concorrer em Nova Iguaçu como cabeça de chapa de uma aliança de esquerda, que incluiria PT e PCdoB.

Segundo interlocutores do União Brasil, Canella avalia articular uma aliança em Queimados com o prefeito Glauco Kaizer (SDD).

Segundo maior colégio eleitoral do estado, Duque de Caxias é outra cidade com previsão de embate. Canella se aproximou do presidente da Câmara, Celso do Alba (MDB), oferecendo legenda no União Brasil para que ele apresente seu nome à prefeitura. Outra opção estudada é o candidato da família do ex-prefeito Washington Reis, Netinho Reis (MDB).

Waguinho, por sua vez, atua como interlocutor junto ao PT para viabilizar o apoio do partido ao ex-prefeito José Camilo Zito, filiado ao PV, esvaziando a aliança petista com o deputado federal Marcos Tavares (PDT). No entanto, o pedetista tem o apoio de caciques estaduais e nacionais do PT.

Já em São João de Meriti, Waguinho e Canella entraram em uma disputa interna do PL entre os deputados estaduais Leo Vieira e Valdecy da Saúde. Os parlamentares lançaram seus nomes à cabeça de chapa e travam um duelo pela vaga. O prefeito comprou a briga de Vieira, enquanto Canella ofereceu o União Brasil para abrigar a candidatura de Valdecy.

Waguinho e Canella também começaram conversas em Nilópolis, Guapimirim, Magé, Mesquita, Japeri, Paracambi e Itaguaí, que estão adiantadas. Apenas em Seropédica ainda seguem lentas. Procurados durante a última semana, o prefeito e o deputado não retornaram.

‘Casamentos políticos’ que não deram certo:

  • Fim de aliança: A relação de Waguinho e Márcio Canella desandou em 2022, quando o prefeito apoiou Lula à Presidência e o deputado, a reeleição de Bolsonaro. Waguinho ainda barrou a indicação do aliado à vaga de vice na chapa à reeleição do governador Cláudio Castro. Vereador mais votado em 2008, o prefeito apostou em Canella para ser seu sucessor e, com seu apoio, fez dele o deputado mais votado na última eleição na Alerj.
  • Rivais no Rio: O ex-prefeito da capital Cesar Maia lançou seu secretário Luiz Paulo Conde como sucessor e conseguiu, mas o criador acabou rompendo com a criatura. Conde morreu em 2015.
  • No estado: Líder do PDT, Leonel Brizola fez do então prefeito de Campos, Anthony Garotinho, governador. A aliança não durou e Garotinho foi para o PSB.